Audiência define futuro da República das Artes
TRIBUNA DO NORTE
19/02/2008
Yuno Silva - Especial para a TN
Foto: Lenilton Lima
Prédio - Procurador Fábio Venzon quer uma solução definitiva sobre a ocupação do prédio pelos artistas
O encontro realizado na manhã de ontem entre artistas, gestores públicos da área cultural, representantes da OAB, do Cefet-RN, da UFRN, do Departamento de Patrimônio Público e do Ministério Público, pode ter definido o futuro da República das Artes – nome de batizo do espaço cultural que funciona há dez anos no antigo prédio da TV Universitária, Cidade Alta, e que abriga cerca de 26 grupos artísticos (principalmente grupos de teatro).
A Audiência realizada na Procuradoria Geral da República, sob mediação do Procurador Fábio Venzon, busca uma solução definitiva para o imbróglio que se arrasta há mais de um ano e que envolve - principalmente – o Cefet/RN, a UFRN e artistas membros da República das Artes. Toda a questão gira em torno da ocupação do histórico edifício, antiga sede do Liceu e Escola Industrial que mais tarde se transformaria na Escola Técnica Federal.
“O prédio funcionou de 1914 a 1967, quando o Governo Militar tomou o espaço e repassou para a Universidade. O Cefet/RN reivindicou a posse em 2006 e prontamente foi atendido pela direção da UFRN”, explicou o Professor Enilson Araújo Pereira, atual diretor da Unidade do Cefet Natal.
De acordo com o professor Enilson, a instituição pretende restaurar o prédio e readequar a estrutura para receber novos cursos: “Nosso projeto prevê a criação de um Centro de Formação Cultural com dois novos cursos técnicos de Produção Cultural e Restauração de Bens. A licitação já foi feita e a verba (R$ 1,2 milhão) já está liberada para iniciarmos a primeira fase - restaurar a fachada histórica e refazer toda a parte estrutural de eletricidade e hidráulica”, adiantou Pereira. “Estamos só aguardando a desocupação para iniciarmos as obras”.
Questionado sobre o futuro dos artistas, o professor Enilson informou que o Cefet/RN não tem recursos para ajudar financeiramente a República das Artes, mas que alguns cursos básicos e oficinas de curta duração podem absorver parte dos grupos. “O espaço poderá continuar sendo acessado pelos grupos através de projetos”, finalizou.
Porém a proposta é insuficiente e não condiz com a intenção dos artistas em garantir o futuro das produções que surgem ali, entre as velhas paredes do antigo Liceu. “O juiz já deu como ganha a Ação de despejo movida pelo Cefet/RN, teoricamente temos até o fim dessa semana para desocupar o prédio”, disse o poeta Paulo Varela, vice-presidente da associação República das Artes, registrada em ATA desde 2004. “Atualmente somos 26 grupos cadastrados e mais de 230 artistas... Sabemos que o prédio é do Cefet/RN, mas vamos colocar esse povo aonde?”, pergunta o poeta.
Paulo, além de trabalhar no local, também está morando por lá: “Estou lá desde 2005, investi na montagem de um palco, temos sistema de próprio de som e luz, e sempre temos recebidos grupos interessados em ensaiar, se apresentar ou mesmo fazer uma filmagem. Não estou aqui para garantir minha moradia e sim para assegurar que teremos um espaço para continuarmos criando”.
Paulo Varela, que mora na República com a família, o ator João Maria Pinheiro, do grupo Artes & Traquinagens, atual presidente da associação, realizaram – junto com outros artistas colaboradores - melhorias estruturais no prédio ao longo desses anos: “Limpamos, pintamos, ajeitamos parte das instalações elétricas e hidráulicas com recursos próprios, agora só o que queremos é a garantia de continuidade do nosso trabalho”, garante Varela.
CULTURA || Audiência no Ministério Público Federal decide rumo da República das Artes
MÚSICA || Potiguares roubam a cena durante Feira da Música em Fortaleza
Potiguares foram destaque na Feira da Música no CE
DIÁRIO DE NATAL
22/08/2007
Yuno Silva* - Especial para o DN
“Hoje a música brasileira é nordestina’’. Essa afirmação nada modesta e realista de Ivan Ferraro, coordenador da Feira da Música de Fortaleza, sintetiza a sensação que tomou conta dos músicos, produtores, jornalistas e empresários que circularam pela sexta edição do evento na capital cearense.
Realizada entre os dias 15 e 18 de agosto, a Feira reuniu uma turma interessante e interessada tanto em divulgar como em conhecer as novidades que emergem do chamado mercado independente. Artistas e instituições potiguares marcaram presença evento.
O epicentro da movimentação teve como endereço o Centro de Negócios do Sebrae, local onde estavam montados estandes de selos e pequenas gravadoras, fabricantes de instrumentos, de artistas em busca de maior visibilidade, eventos e projetos ligados à cadeia produtiva da música e espaços institucionais como o do próprio Sebrae (principal parceiro da Feira) e da Fundação José Augusto - que também marcou presença com exposição de CDs e DVDs de artistas potiguares.
No mesmo lugar ainda aconteceram as Rodadas de Negócios - momento precioso onde artistas e produtores ficam frente a frente com potenciais investidores -, palestras, oficinas e um grande feirão de livros e discos usados (e raros!).
Apesar da magnitude da proposta, alguns detalhes na programação de palestra e oficinas precisam de ajustes para melhor aproveitamento por parte do público: desencontros nos horários e o tempo extenso (4 horas seguidas) reservado às palestras não eram nem um pouco convidativos, fatos que deixaram o auditório praticamente às moscas durante debates interessantíssimos como a relação entre o repente e o hip hop.
Outro detalhe que merece maior atenção dos organizadores e dos empresários nas próximas edições é a feira de produtos: bateria (+ percussão), baixo e guitarra estavam bem representados, inclusive pelos potiguares com os instrumentos da DeOliveira Bass (baixo) e a JCP Percussion (bateria), mas o segmento eletrônico (o que mais cresce nesses tempos de globalização tecnológica) não deu as caras. Produtores musicais e DJs sentiram falta de estandes com equipamentos e novidades do setor.
Porém o principal objetivo foi alcançado: eventos como a Feira da Música são terrenos mais que férteis para o estabelecimento de novos contatos que estreitam os laços e promovem maior interação entre músicos e produtores de diversos Estados - fator primordial para fazer a roda do mercado independente de música girar.
SHOWS
Distribuídos por cinco palcos montados em diferentes pontos de Fortaleza, mais de 80 atrações fizeram a festa (de graça!) do público que acompanhou de perto as apresentações. Os três principais pólos ficaram estrategicamente posicionados nos arredores do Centro Cultural Dragão do Mar, Praia de Iracema, onde alguns nomes merecem destaque como o eletro-glam-rock da banda Montage, a irreverência da trupe Dona Zefinha, o rock progressivo e alienígena do Fóssil e a poesia d’O Quarto das Cinzas (todas de Ceará).
De Pernambuco, as bandas Rivotril e Zé Cafofinho e Suas Correntes, e a cantora Mônica Feijó foram os principais nomes. Loop B de São Paulo, Falcatrua (MG), Radiola (BA) e os argentinos do Velenio Funk são outros que merecem atenção.
E os potiguares? Sem bairrismos, mas os comedores de camarão protagonizaram os melhores shows do evento - sobretudo a banda Rosa de Pedra, que lançou oficialmente seu primeiro CD homônimo. Os baixistas Sérgio Groove e Jr. Primata fizeram um duo pra ninguém botar defeito, enquanto Eduardo Taufic, o grupo Retrovisor e NêguEdmundo deixaram suas marcas na programação. Mirabô Dantas também lançou durante a feira o seu CD Mares Potiguares.
Ainda circularam pela Feira da Música de Fortaleza os papa-jerimuns da revista on-line Ráudio.visual, do fanzine Lado [R] e do selo Coletivo Records.
A realização da Feira da Música de Fortaleza é da ProDisc (Associação dos Produtores de Discos do Ceará) em parceria com o Sebrae CE, com promoção da Prefeitura de Fortaleza, mais apoio cultural do Fundo Nacional de Cultura, Governo do CE, do Sesc CE e da Coelce (Companhia Energética do CE). Os patrocinadores são o Banco do Nordeste e BNDES através da lei Rouanet e Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
* o jornalista viajou a convite da Agência Sebrae RN
ARTES VISUAIS || Exposição "Polifonias do Feminino" na Capitania das Artes
Ecos femininos
TRIBUNA DO NORTE
08/03/2006
Yuno Silva - Repórter
DETALHES - Plínio Faro expõe suas bonecas na mostra “Polifonias”
Há exatos 149 anos, em Nova Iorque, operárias de uma indústria têxtil entraram em greve contra a pesada jornada e os baixos salários. O resultado do confronto findou com a morte de mais de 120 mulheres queimadas e outras tantas feridas. Depois dessa tragédia, a luta feminina ganhou força e ainda mais legitimidade, mas o Dia Internacional da Mulher só seria reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1910.
Para celebrar a passagem dessa importante data, a Fundação Capitania das Artes convidou artistas plásticos e visuais potiguares para participarem da exposição “Polifonias do Feminino”, em cartaz a partir desta quarta-feira, na galeria de arte da Funcart. A abertura será hoje, às 17h, e a mostra ficará disponível para visitação até dia 22.
A coordenadora da expo, Sânzia Pinheiro, da equipe do Núcleo de Artes Visuais da Capitania, adiantou que a abertura será marcada por uma série de atividades efêmeras imperdíveis: “Além da presença da maioria dos artistas, teremos performances e intervenções pontuais únicas”, informa.
“O artista Marcelo Gandhi irá apresentar uma performance chamada ‘Ponta Negra’, João Natal dará vida à sua instalação, Sayonara Pinheiro mostra a fenda escarlate na parede que remete ao sacrifício feminino durante o período da Inquisição, Guaraci Gabriel mostra em primeira mão a obra que irá à Bienal de Cuba, Plínio Faro traz suas bonecas drag queens e o estilista Ricardo San Martini revela o sagrado e o profano das deusas”, diz Sânzia.
Além dos seis já citados, também integram “Polifonias do Feminino” as artistas Adriana Lopes, Andréa Galvão, Andréa Clara, Candinha Bezerra, Civone Medeiros, Lourdinete e Zaíra Caldas. Entre os homens: D´Luca, Diniz Grilo, Fábio Eduardo, Marcus Macedo, Pedro Alves, Ricardo Veriano, Roberto Medeiros e Vicente Vitortiano. “Convidamos artistas que já trabalham com a temática feminina. Queremos provocar a reflexão sobre questões, princípios, conquistas, desafios e a necessidade de se buscar um equilíbrio”, pondera.
Vale lembrar que em edições anteriores apenas pintores participavam. Neste, boa parte das obras estará à venda.
ARTES VISUAIS || Rumo à Bienal de Cuba
Guaraci embarca dia 19 para Bienal de Havana
TRIBUNA DO NORTE
08/03/2006
Repórter: Yuno Silva
Foto: Divulgação
URBANO - Guaraci expõe em “Polifonias” e prepara mostra em Cuba
Inquieto e sempre a postos para dar asas à imaginação, o artista visual Guaraci Gabriel aprontou mais uma das suas. Único brasileiro, em nove edições, a participar duas vezes consecutivas da Bienal de Havana, Gabriel e equipe embarcam rumo à ilha de Fidel no próximo dia 19 de março.
Conhecido por suas esculturas gigantes produzidas com sucata, desta vez o artista foi selecionado com a intervenção urbana “Raio X”. A obra que irá circular pelas ruas da capital cubana, entre 27 de março e 27 de abril, pretende “dar visibilidade ao que existe e ninguém vê”, revela o potiguar nascido em São Gonçalo do Amarante.
Além de “Raio X”, radiografias hipotéticas — coladas nas laterais dos curiosos ônibus-carreta — que sugerem o porte do passageiro a bordo e o que ele leva nos bolsos, Guaraci Gabriel também irá ilustrar alguns canteiros ao longo do itinerário do coletivo com flores (jasmins) fabricadas por brasileiros com chapas metálicas de offset.
A oficina para confecção das flores já está em andamento e segue até esta quarta-feira, dia 8 — as que estiverem prontas farão parte da exposição “Polifonias do Feminino”, em cartaz a partir do dia 8, na Capitania das Artes, Cidade Alta, no Dia Internacional da Mulher.
“O caule do jasmim terá o tamanho da pessoa que o produziu durante a oficina, e cada flor representa um fragmento do próprio ego. Imagino que todas juntas formem a identidade coletiva”, aposta Guaraci. “As chapas de offset usadas nas máquinas para imprimir jornais, servem justamente para enfatizar essa visão de egos esfacelados que precisam interagir, dizer”, filosofa o artistas sobre a obra “Mariposa Branca”.
ARTES VISUAIS || Experimento potiguar audiovisual desembarca em Havana
Havana servirá de locação para projeto audiovisual
TRIBUNA DO NORTE
08/03/2006
Repórter: Yuno Silva
Foto: Guaraci Gabriel
OBRA - Intervenção urbana “Raio X” traz imagens de esqueletos
O documentarista Geraldo Cavalcanti, a pesquisadora Sânzia Pinheiro e o cinegrafista/editor Júlio Castro completam o time Norte-rio-grandense. “A idéia é realizar um documentário sobre nossa participação na Bienal de Havana. Queremos registrar a reação das pessoas, e ainda documentar outra oficina de flores metálicas oferecida durante a Bienal”, contou. A idéia de Guaraci é articular uma via de mão dupla para expor ‘jasmins’ cubanos aqui no RN.
Há indícios de que o documentário seja ampliado ou até desdobrado: “Vamos seguir nosso instinto e ver no que é que dá. Histórias cubanas para fazer um filme não faltam”, adianta sem esclarecer muita coisa.
Para chegar a Cuba, Guaraci Gabriel conta com ajuda da Prefeitura de Natal através da Fundação Capitania das Artes, Governo do Estado e Fundação José Augusto, Viação Cidade das Dunas, Assembléia Legislativa, Instituto de Radiologia e J. Patrício (de Mossoró). “Apesar de tudo ainda não cobrimos os gastos com a viagem”, contabiliza o artista, que planeja passar 20 dias em Havana. A organização da Bienal informou que só pode arcar com uma hospedagem e fazer o ‘meio de campo’ para a liberação do uso do ônibus.
Quando voltar a Natal, lá pela segunda quinzena de abril, Gabriel quer armar uma grande exposição ao ar livre com nove esculturas entre 12 e 15 metros. Espalhadas pela Via Costeira, praias urbanas do centro e Ribeira, em cada ponto haverá um sistema multimídia para exibição do documentário produzido. “O último ponto da exposição será a Casa da Ribeira, onde o documentário também estará sendo exibido”, finaliza.
Serviço
Contato com Guaraci Gabriel através do telefone 84 8834-0354
CULTURA || Projeto ArteAção promove debate e mostra de dança na Ribeira
Casa da Ribeira terá debate e mostra
TRIBUNA DO NORTE
08/03/2006
Repórter: Yuno Silva
Foto: Divulgação
PALCO - Casa da Ribeira comemora aniversário com eventos
A Casa da Ribeira continua com sua programação de aniversário discutindo e mostrando as facetas da dança potiguar. Hoje, a partir das 21h, apresentação e debate dentro do projeto ArteAção, com a mostra Experimento de Dança I. A entrada é gratuita, mas após o início do expetáculo não é permitido entrar.
Com núcleo formado pelos diretores artísticos Sávio de Luna e Wanie Rose de Medeiros, e pelos coreógrafos Ana Cláudia Viana, Anádria Rassyne, Érika Rosendo, Laíse Padilha e Silvano Jefferson, o Experimento de Dança I traz cinco coreografias experimentais, criadas e executadas pelos profissionais envolvidos no projeto. Após as apresentações, o grupo abre debate sobre os processos de montagem e sobre a concepção coreográfica.
O ArteAção é um projeto aprovado pelo Fundo Nacional de Cultura, do Ministério da Cultura. Através da criação de núcleos de estudo, especificamente em artes cênicas o projeto quer favorecer o aparecimento de profissionais das áreas artísticas e técnicas.
Dirigido aos jovens acima de 16 anos, moradores do bairro das Rocas, e de iniciativa da Casa da Ribeira, o ArteAção visa estruturar ações, através de estudos práticos e teóricos que minimizem as carências da cidade atuando em três núcleos: Estudos Coreográficos, um espaço de reflexão e troca entre as diversas escolas de formação já existentes na cidade que quer estimular o aparecimento coreógrafos-criadores; Estudos Cênicos, formação profissional de técnicos envolvidos na produção cênica (iluminador, sonoplasta e figurinista) e Diálogos em Cena, realização de debates, com participação de especialistas para a realização de oficinas e encontros.
Serviço
ArteAção. Mostra Experimental de Dança I.
Hoje, 21h, na Casa da Ribeira - Rua Frei Miguelinho 52, Ribeira.
CULTURA || Lei de incentivo à Cultura barra projetos da Casa da Ribeira
"Lei Estadual vem barrando nossos projetos"
TRIBUNA DO NORTE
07/03/2006
Repórter: Yuno Silva
Foto: Marcelo Barroso
Gustavo Wanderley
Não é nada fácil manter em cartaz uma programação cultural de qualidade, e ainda por cima ter que cuidar da estrutura do lugar onde acontecem as coisas acontecem. Agora imagine fazer com que essa mesma iniciativa vingue e perdure, em uma cidade que luta para encontrar a identidade perdida em algum lugar do passado? Contra ou a favor da maré, o fato é que o Espaço Cultural Casa da Ribeira comemora seu quinto ano de funcionamento ao longo desta semana.
A programação é intensa e democrática: hoje, a partir das 20h com entrada gratuita, haverá o lançamento do projeto “Casa da Ribeira em Cena II” mais a realização do seminário “O teatro e a sua cidade”. Na quarta-feira, às 21h, o guitarrista e compositor Edu Gomez — um dos vencedores do Cosern Musical 2005 — entra em temporada com o espetáculo “Os quatro elementos”. Já na quinta, também às 21h, serão apresentados os primeiros resultados do projeto sócio-cultural “ArteAção, experimento de dança I”, incluindo debate e lançamento oficial do site do ArteAção (grátis).
Na sexta-feira, às 21h, a atração da Casa é a cantora Valéria Oliveira com o show “Em Casa, com Valéria Oliveira & convidados”, e no sábado, no mesmo horário, o Grupo Beira de Teatro volta a apresentar a peça “O tempo da chuva”. Domingão o pessoal da Casa da Ribeira ganha a rua Frei Miguelinho com o “Na rua das Rocas, na rua da Casa”, com participação dos alunos do Ponto de Cultura “Ruas da Memória”. O ingressos custam R$ 5, exceto no evento na rua.
Nesses cinco anos de Casa aberta, já passaram pelo espaço mais de 90 mil pessoas. Em 2005, as contas registraram cerca de 17 mil espectadores.
Gustavo Wanderley, um dos diretores da Casa da Ribeira, conversou com o Viver sobre números, leis de incentivo e detalhes dos bastidores:
TRIBUNA DO NORTE: No início de 2004, a Casa da Ribeira passou quase quatro meses fechada. E agora, dois anos depois, como está a situação?
Gustavo Wanderley: A partir do momento que deixamos de nos preocupar só com as contas a pagar, passamos a elaborar e executar projetos significativos com maior freqüência. Dos 11 projetos planejados em 2005, realizamos oito, e muitos estão tendo continuidade. Os realizados são: “Cosern Musical”, “Casa da Ribeira em Cena”, “Natal Arte Contemporânea”, “Da Escola pra Casa”, “ArteAção”, “Ruas da Memória”, “Clube do Professor” e “Projeto Terceira Idade”.
A Casa da Ribeira emplacou um Ponto de Cultura junto ao Ministério da Cultura com o projeto “Ruas da Memória”. Como funciona exatamente?
GW: E o “ArteAção” conta com apoio do Fundo Nacional de Cultura. Bem, o “Ruas da Memória” atende 40 jovens que participam de oficinas de teatro, música, circo, etc, que visam despertar uma identificação e a busca pelo aperfeiçoamento. É um trabalho de inclusão social através da arte.
Por falar em inclusão social através da arte, como anda o projeto “Da escola pra Casa”? Vocês tiveram problemas para enquadrar o projeto na Lei estadual de incentivo Câmara Cascudo? As mesmas dificuldades também são sentidas na Lei municipal Djalma Maranhão?
GW: A Lei municipal tem sido muito íntegra conosco. Procuramos contornar possíveis falhas atendendo as observações, há todo um diálogo para que a cultura não morra na praia da burocracia. Mas, desde 2003, a Lei Câmara Cascudo vem barrando sistematicamente nossos projetos. Esse “Da escola pra Casa” por exemplo foi barrado com o argumento que era mais social que cultural, porém o MinC aprovou a proposta sem nenhuma observação. Pergunto: afinal para que serve uma lei de incentivo se não é proporcionar o acesso à cultura para pessoas, digamos, menos privilegiadas. O projeto prevê o atendimento de 9 mil crianças, que irão ao teatro com seus professores, ou seja, não é só oba-oba de fretar um ônibus e fazer o passeio, há todo um acompanhamento posterior. A meu ver, o que importa para a Lei é se o projeto tem qualidade, se os recursos estão sendo bem utilizados. Temos que deixar de lado as picuinhas que só entravam o crescimento e a consolidação de uma identidade cultural.
LITERATURA || Funcarte divulga nomes dos vencedores de concurso literário
Capitania das Artes anuncia vencedores
TRIBUNA DO NORTE
07/03/2006
Repórter: Yuno Silva
A Capitania das Artes acaba de divulgar os vencedores dos concursos literários Câmara Cascudo (prosa) e Othoniel Menezes (poesia), realizados pela Biblioteca Municipal Esmeraldo Siqueira.
A comissão julgadora dos Prêmios Literários escolheu, entre os 28 trabalhos apresentados na categoria prosa e os 52 trabalhos que estavam concorrendo na categoria poesia, as seguintes obras: “Câmara Cascudo: O que é folclore, lenda, mito e as lendas holandesas em Arês’, do autor André Valério Sales, na categoria prosa, que teve ainda como menções honrosas as obras “Infortúnio”, de Thiago de Oliveira, “Grosso Calibre”, de Marcos Ferreira de Souza, e “Akari, uma ilusão nipônica”, de Clayton César Pereira Barreto.
O Prêmio Othoniel Menezes de poesia teve como vencedora a obra “Para Sair do Dia”, de autoria de Márcio de Lima Dantas. Receberam menções honrosas ‘O patinho e o grilo’, de Izaias Gomes de Assis, ‘Doce, Azedo, Amaro’, de Théo G. Alves, e ‘A chave errada’, de Antoniel Campos.
A comissão julgadora dos concursos literários foi formada por seis membros. O advogado, poeta e escritor Diógenes da Cunha Lima, o editor da revista Brouhaha Moisés de Lima e a escritora Maria Francinete de Oliveira julgaram as obras que estavam concorrendo ao Prêmio Câmara Cascudo; a poeta e professora Diva Maria Cunha Pereira de Macedo, Napoleão de Paiva Souza e Lívio Alves Araújo de Oliveira julgaram os concorrentes ao Prêmio Othoniel Menezes.
A entrega dos Prêmios Literários ocorrerá dia 14, terça-feira que vem, durante o tradicional café da manhã com os poetas, na Fundação Capitania das Artes. Estarão reunidos artistas, autoridades e convidados. O vencedor de cada concurso será premiado pelo prefeito Carlos Eduardo Alves com a quantia líquida de R$ 3.000,00 (três mil reais).
Dia da Poesia será festejado na Funcarte
Uma das poucas cidades a festejar o Dia Nacional da Poesia, Natal tem garantida a sua tradicionalíssima programação do 14 de Março pelo menos na Fundação Capitania das Artes, com evento que acontece há mais de 10 anos, desde que a Funcarte virou fundação.
Estão na programação, além do café da manhã para poetas e convidados, vários lançamentos de livros, palestras, performances, homenagens e debates. Durante todo o dia, apresentações culturais serão realizadas também em vários cantos da cidade.
Serviço:
Entrega dos prêmios Othoniel Menezes de literatura (prosa) e Câmara Cascudo (poesia), dia 14 de março, às 8h da manhã, na Fundação Capitania das Artes, av. Câmara Cascudo, Cidade Alta. Mais informações pelo: 3232-4946.
CINEMA || Casal de cowboys é favorito ao Oscar
O Oscar da ousadia
TRIBUNA DO NORTE
04/03/2006
Repórter: Yuno Silva
Foto: Divulgação
SEGREDO - “Brokeback Moutain”, de Ang Lee, é o franco-favorito de amanhã
O cinemão norte-americano já não é mais o mesmo. Depois da mirrada safra 2005, o Oscar 2006 rendeu-se à ousadia das produções independentes, e a lista com os nomes dos indicados reflete nitidamente o relativo fracasso das superproduções milionárias. Dos cinco indicados para melhor filme, apenas “Munique” (US$ 75 milhões), do diretor Steven Spielberg custou mais do que os US$ 14 milhões de “O Segredo de Brokeback Mountain”, o grande favorito indicado à oito estatuetas. Ou seja, o pacote de filmes com baixo orçamento e boas histórias desbancou o investimento dos grandes estúdios.
A 78ª cerimônia de entrega dos prêmios acontece neste domingo, no Teatro Kodak do Hollywood Boulevard, em Los Angeles. A transmissão será realizada pela TV Globo, a partir das 22h.
Outro detalhe que pontua a principal categoria do maior prêmio da indústria cinematográfica, é o desprezo pela fantasia e efeitos especiais hollywoodianos. Filmes como “O Segredo de Brokeback Mountain”, “Capote”, “Crash — No limite” e “Boa noite e boa sorte”, enfocam aspectos crus da vida real e temas éticos. Essa incomum consciência social, com temas difíceis que vão da ética nos grandes negócios e na mídia até as tensões raciais, formam o núcleo narrativo dos principais concorrentes.
Apesar dos cinemas natalenses não terem exibido três, dos cinco filmes concorrentes ao prêmio de Melhor filme, cinéfilos, diretores, especialistas e amantes da sétima arte fizeram suas apostas e apontaram quais os favoritos ao título.
O produtor cultural e empresário Marcos Sá, aposta todas as suas fichas em “O segredo...”: “O diretor Ang Lee conseguiu mexer com os sentimentos das pessoas, independente da opção sexual. Acredito que o filme também deve levar o Oscar de Melhor trilha sonora e roteiro adaptado. Com relação a indicação de Melhor ator, gostei muito da atuação de Joaquim Phoenix em ‘Johnny e June’, e acho que a indicação Heath Ledger em ‘Brokeback Mounatin’ deva alavancar sua carreira, até então considerada medíocre. Mas acredito que Philip Seymour Hoffman, de ‘Capote’, deve levar a estatueta”, analisa Marcos.
Para ele, o maior injustiçado desse Oscar é o filme “O Jardineiro Fiel”, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”). “Merecia ser indicado como melhor diretor, a linguagem cinematográfica é bem mais inovadora que a de Ang Lee em ‘O segredo...’, mas Rachel Weisz deve levar o Oscar de Melhor atriz coadjuvante”, conclui.
O antropólogo, produtor cultural e presidente da Associação dos Documentaristas e Curta-metragistas do RN, Josenilton Tavares, também acredita na vitória de Ang Lee. “O filme abre questionamentos pertinentes, e cai como uma luva em um momento onde se discute a intolerância generalizada”. Tavares chamou atenção para a direção de Fernando Meirelles, e acha que o brasileiro deveria ter sido indicado: “Ele (Meirelles) conseguiu contar uma história emocionalmente impactante sem ser piegas”.
O crítico de cinema e idealizador do Festival de Cinema de Natal, o jornalista Valério Andrade, acha que ninguém toma o Oscar de Ang Lee e o drama homossexual dos cowboys. “Quem sabe Spielberg leve algum prêmio”.
Já Rodrigo Salem, jornalista natalense radicado em São Paulo, editor especial da revista Set, especializada em cinema, comunga da mesma opinião: Vai ser difícil tirar a vitória de ‘O segredo...’. Quanto ao ‘Jardineiro Fiel’ de Meirelles, não adianta ficar pensando em injustiça: só o fato de ter emplacado a indicação para Melhor atriz coadjuvante já está valendo. ‘Monique’ talvez tenha alguma chance em roteiro adaptado e só. E o milionário ‘King Kong’ deve entrar na disputa de efeitos especiais com ‘Guerra dos Mundos’, finaliza.
CARNAVAL || DuSouto arrebata o Recife com sonoridade explosiva durante o Carnaval
DuSouto agita o Rec-Beat
TRIBUNA DO NORTE
03/03/2006
Texto e foto: Yuno Silva
SUCESSO - Revelado no Mada, Du Souto foi destaque em Recife
Uma noite atípica pontuou a segunda-feira de Carnaval em Recife: no pólo Mangue, o palco montado no Paço Alfândega às margens do poluído rio Capibaribe foi testemunha de uma verdadeira invasão potiguar. Do palco, a banda natalense DuSouto comandou o coro de uma numerosa horda (no melhor sentido da palavra) de Norte-rio-grandenses que, informalmente, combinaram um encontro na primeira fila para prestigiar os únicos representantes do RN na folia pernambucana. Por tabela, o restante do público — cerca de 2,5 mil pessoas — acabou sendo contagiado pelos papas-jerimuns.
Logo de cara, o quinteto formado por Gustavo Lamartine (guitarra e voz), Paulo Souto (baixo e voz), Gabriel Souto (DJ), Júlio Castro (VJ) e Joab (bateria), fez questão de informar a procedência: uma enorme bandeira do Rio Grande do Norte foi estendida no fundo palco, servindo, inclusive, de telão para as projeções que acompanham cada uma das músicas.
Ainda disperso devido ao intervalo entre um show e outro — o DuSouto foi a terceira atração da noite, que ainda contou com apresentações do sambista baiano Riachão e da banda a pernambucana Eddie —, o público não resistiu à mistura eletrônica com sotaque potiguar e caiu no samba-dub-rock-funk-embolado.
Impecáveis, os natalenses fizeram um dos melhores shows do Festival Rec Beat. Nem mesmo um pequeno problema no microfone dos vocalistas durante a primeira música atrapalhou a festa. Com direito à bis (o único até então) , a sensação de dever cumprido provou que a música é um dos principais passaportes para a cultura potiguar ganhar projeção nacional.
Natal é um destino cobiçado por músicos de todo o Brasil, principalmente aqueles que buscam um lugar ao sol no mercado. A razão de todo esse desejo tem explicação: a capital potiguar abriga dois festivais de música independente com grande repercussão na mídia brasileira — como o Mada.
CINEMA || Cinemark chega a Natal
Cinema para todos os gostos
TRIBUNA DO NORTE
03/03/2006
Repórter: Yuno Silva
Foto: Marcelo Barroso
RETA FINAL - O hall de entrada ainda precisa de acabamentos
Os cinéfilos de plantão não perdem por esperar. No próximo dia 10 de março, a rede norte-americana de cinemas Cinemark - que opera com o conceito multiplex (várias salas em um mesmo lugar) - anunciou a abertura de sete salas no terceiro piso do shopping Midway Mall, em Lagoa Nova. Com capacidade para atender mais de 1,9 mil pessoas simultaneamente, em salas que comportam entre 256 a 333 espectadores, a empresa está investindo cerca de R$ 12 milhões no empreendimento. O multiplex ocupa uma área de 3,5 mil metros quadrados.
As obras estão em ritmo acelerado, e a previsão é que tudo esteja pronto até a próxima quarta-feira, dia 8, data prevista para a festa de pré-inauguração com convidados do shopping. No dia 9, antes de abrir para o público, o Cinemark promove uma noite especial para assinantes da TRIBUNA DO NORTE — os detalhes da promoção poderão ser obtidos no anúncio que será veiculado na edição deste próximo domingo.
“Estamos muito felizes em poder participar dessa festa de pré-inauguração. A TRIBUNA DO NORTE já tem tradição em promoções de cinema junto aos assinantes, mas essa é a primeira vez que faremos uma promoção deste porte, contemplando 550 assinantes, com convites duplos e oferecendo pipoca e refrigerante grátis”, disse Andreia Barandas, gerente de marketing da TN.
A rede Cinemark, criada em 1984 nos Estados Unidos, mantém salas de cinema em 13 países das três Américas, além de Taiwan, na Ásia. Atualmente a empresa conta com cerca de 3 mil salas, e é a maior operadora de cinemas no Brasil, com 37 complexos que totalizam 317 salas — incluindo as sete de Natal.
Boa parte da estrutura do complexo está montada e algumas salas já estão com suas poltronas devidamente instaladas, as oito bilheterias e o snack bar (para venda de pipoca, refrigerante e guloseima) que compõem o hall principal também aguardam os últimos retoques no acabamento. Ontem, foi a vez dos técnicos responsáveis pelos sistemas de projeção e de áudio conferirem o equipamento que será utilizado. Em todas as salas haverá lugares para casais e obesos. Rampas de acesso foram estrategicamente posicionadas para proporcionar conforto e autonomia aos portadores de necessidades especiais, que contam com espaço privilegiado na platéia.
A disposição das cadeiras segue a tendência “estadium” (inclinada como nos anfiteatros), as salas têm pé direito alto e a tela ocupa praticamente toda a parede (wall to wall). Um dos diferenciais que deve agradar em cheio aqueles que chegam em cima da hora para o início da sessão, é o recuo das cadeiras em relação à tela. Detalhe que oferece maior conforto ao espectador.
“Com a abertura do complexo de cinemas, estamos atendendo a um anseio da população de Natal que já esperava por esse espaço de entretenimento em nosso mix”, afirma Afrânio Marinelli, superintendente do shopping.
Para dar conta da obra, cerca de 200 pessoas estão trabalhando nesta fase final. “Quando o multiplex estiver pronto e funcionando, nosso quadro operacional será formado por 58 pessoas, entre recepcionistas, pessoal de bilheteria e do snack bar”, informou Ronaldo Serpa, gerente escalado para tomar conta do multiplex Cinemark no Midway Mall. Serpa está vindo de Santos, cidade do litoral paulista, onde também gerenciava outros complexos da mesma empresa. “Nossos planos incluem a oferta de sessões em horários especiais, entre 23h e 0h, às sextas-feiras e sábados, mas a continuidade depende da receptividade do público”, disse.
Quanto ao valor dos ingressos, o gerente prefere não adiantar muito: “O preço ainda não foi decidido, estamos analisando e comparando o perfil de Natal com praças como Manaus (AM) e algumas cidades do estado de São Paulo”, revelou.A assessora de imprensa responsável pela conta da Cinemark no Brasil, Luana Paternoster, também não tem o valor dos ingressos, mas garantiu que os preços seguirão o padrão da rede levando em consideração o perfil da cidade. Paternoster, que estará em Natal no dia 8 para a festa de pré-inauguração, informou ainda que o multiplex natalense foi projetado dentro do padrão mais moderno dos complexos inaugurados recentemente.
Sobre a programação, a assessora de imprensa disse que tudo depende da negociação com cada distribuidor. “A grade de programação é bem eclética, teremos lançamentos de filmes estrangeiros e nacionais, infantis, as mega-produções hollywoodianas e produções sem tanto apelo comercial. Dois filmes já estão confirmados para estrear aí em Natal no próximo dia 10: ‘Firewall — Segurança em risco’, com Harrison Ford, e ‘Os seus, os meus e os nossos’, com Dennis Quaid e René Russo”, informou Luana.
A gerente de marketing do Midway Mall, Suely Campelo, disse que o horários das sessões ainda não estão definidos, mas as vendas dos ingressos deverão iniciar a partir do meio-dia: “As sessões variam conforme o tempo de duração do filme. Também há possibilidade de, em datas especiais, o horário de funcionamento ser antecipado. Essas decisões são tomadas pela gerência da própria Cinemark”, conclui.
Uma lista preliminar com os filmes da programação que deverá entrar em cartaz nos próximos dias foi repassada pela assessora de imprensa local, Adriana Keller: “A relação não é a definitiva”, adiantou.
CARNAVAL || Bloco Baiacu na Vara 'passa a régua' na farra de Momo
Baiacu cheio de arte
TRIBUNA DO NORTE
02/03/2006
Repórter: Yuno Silva
Foto: Júnior Santos
Sol a pino, frevo no pé e os últimos resquícios de disposição. Essa foi a fórmula que impulsionou o bloco Baiacu na Vara, principal atração da quarta-feira de cinzas na praia da Redinha, zona norte de Natal. Do alto de seus 16 anos de carnaval, o tradicional bloco temporão serve como ponto de encontro para os foliões mais resistentes e aqueles que trabalharam durante o carnaval.
Conduzido por dois bonecos gigantes e orquestra de frevo, o Baiacu na Vara abriu alas com novidade: a partir deste ano, o bloco fundado por Cristina Medeiros passa a destacar um artista plástico que nutre algum tipo de envolvimento com o Baiacu — em 2006, o convidado foi Fernando José, que ilustrou a camiseta do bloco.
Antes de circular pelas ruas do bairro-praia, o Baiacu esquentou os tamborins no largo do Cruzeiro. “É um verdadeiro sarau carnavalesco”, disse Cristina. “O Baiacu na Vara desperta a curiosidade do folião que, como eu, está brincando desde o sábado. Todo mundo quer saber quais as novidades do bloco, por isso lançamos o conceito do Baiacu na Arte”, disse a fundadora. Cristina Medeiros contou que a idéia surgiu em uma terça de carnaval: “Falei para o meu pai que iria criar uma troça para sair no dia seguinte, e ele me perguntou do estandarte. Pegamos um lençol escondido e criamos o primeiro”, lembrou.
Lançando mão do conceito multicultural proposto pela Fundação Capitania das Artes, a festa ainda abrigou exposição do artista plástico Fernando José — que pendurou quadros nas paredes das casas localizadas no largo do Cruzeiro — e recebeu pela primeira vez o Boi de Reis de Felipe Camarão do Mestre Manoel Marinheiro. “A tendência é essa: valorizar a cultura local e envolver a comunidade. Só assim podemos pensar em fortalecer a festa”, garantiu Gustavo Wanderley, um dos responsáveis pelo novo formato do “Baiacu na Vara e na Arte” .
“Espero que essa espécie de baiacu não entre em extinção”, brincou Wanderley. “Se não fosse o apoio do poder público (Governo e Prefeitura) já teríamos desaparecido. Nosso objetivo é engrossar o caldo para atrair investimentos da iniciativa privada”, finaliza.
Alguns fantasiados (mulher vestida de freira, outro usava uma peruca feita com sargaço, tiazinhas, homem das cavernas, etc etc), foliões fiéis, novatos e curiosos formavam o perfil do público — estimado em cerca de 1,2 mil pessoas — que acompanhou o bloco. Maria Lúcia, de 66 anos, era uma das curiosas. Ela afirmou que estava ali por acaso, que tinha ido visitar uma amiga e que nem gostava de muito barulho, mas parou para ver o “bloco passar”.
Já Aníria Félix Barbosa e Terezinha Morais Costa, ambas de 60 anos, respectivamente “madrinha” e “namorada” do Baiacu, eram das mais animadas: “Agora é que o está começando”, disse Aníria quando questionada sobre a disposição em plena Quarta de Cinzas. “Brincamos desde a fundação do bloco”, completou Terezinha. As duas moram na Redinha. Quem também faz questão de prestigiar o Baiacu foi Matheus Freitas Lopes de Oliveira, de 9 anos. Acompanhado da família, o garoto segue o bloco desde pequeno e disse que adora o carnaval: “Todo ano a gente vem brincar aqui”, disse Matheus, morador do bairro das Quintas.
Porém a maior atração foi mesmo a orquestra de frevo. Afinada e afiada, a banda mostrou entrosamento ao interpretar clássicos do frevo com arranjos totalmente novos, especialmente criados pelo instrumentista Gilberto Cabral, trombonista da Orquestra Sinfônica do RN. “Essa é a primeira vez que estou tocando durante o carnaval. Formamos uma grande banda, que se subdividiu para atender pontos diferentes da festa ao mesmo tempo”, disse o percussionista Edmilson Cardoso, também membro da OSRN. “Faço parte da Banda Independente da Ribeira, que promove uma das prévias mais animadas do carnaval natalense, e vejo que o músico potiguar está sendo valorizado este ano, estão dividindo o bolo!”, acredita Milsinho, que trabalhou todos os dias de carnaval.
CARNAVAL || Galo da Madrugada, o maior bloco do Mundo toma conta do Recife
Apoteose do Galo da Madrugada
TRIBUNA DO NORTE
02/03/2006
Repórter: Yuno Silva
Foto: Cleyson Ramos
MULTIDÃO - Atrás de trios elétricos, o Galo da Madrugada, arrastou mais de um milhão de foliões ao som do frevo
O sol e o frevo esquentaram o carnaval pernambucano e o folião não desanimou um só minuto, mesmo com o calor escaldante que dominou o festejo de Momo. No sábado, 25, como de praxe, as ruas do centro histórico do Recife foram tomadas pela multidão — cerca de 1,6 milhão de pessoas, segundo estimativas do Corpo de Bombeiros — que engrossava o caldo do maior bloco popular de rua do mundo: o Clube de Máscaras Galo da Madrugada.
A sensação de um possível tumulto generalizado foi logo descartada, a turba que circulou atrás dos trios elétricos estava mais interessada em acompanhar a folia munida apenas de disposição e alegria — ninguém estava disposto a arranjar confusão no início do carnaval!
No ‘olho do furacão’ (leia-se “no meio da muvuca”), como que por encanto, cenas inusitadas emergiam a todo instante, e olhares mais atentos puderam conferir performances hilárias como a de um sósia do Michael Jackson e de blocos informais como “Os Melancias”, que levaram ao pé da letra a máxima de pendurar uma melancia no pescoço para chamar atenção — “Segurem suas crianças, cuidado com o Michael!”, bradava o público enquanto o clone do desbotado popstar circulava escoltado por seguranças. Sob o guarda-sol, a estranha figura suava em bicas mas não perdia a pose: com direito a luva, maquiagem, ‘raiban’ e roupa brilhosa, o Michael do Galo da Madrugada ensaiou os principais passos e trejeitos característicos do Jackson verdadeiro.
Além dos fantasiados de plantão, o Galo da Madrugada também é marcado por seu apelo democrático e popular. Dezenas de trios elétricos conduziram desde o mais pé-rapado dos foliões até o empresário mais badalado do momento na capital pernambucana. O repertório também não poderia ser outro: clássicos do frevo e versões carnavalescas para músicas de Alceu Valença, Zé Ramalho, Novos Baianos e, claro, Chico Science — o ex-líder da Nação Zumbi, morto em 1997 em um acidente de carro, continua mais presente do que nunca: toda vez que as guitarras de “A Praieira” davam o ar da graça, o público esquecia o cansaço e pulava como se a festa estivesse apenas começando.
Shows no centro histórico
Após quilômetros de música, suor e cerveja atrás dos trios elétricos, a pedida era tentar repor as energias para acompanhar os shows à la carte que ainda estavam na programação do sábado de Carnaval: Antônio Nóbrega, Elba Ramalho, Edgar Scandurra, Siba e Fuloresta do Samba, Faces do Subúrbio e Silvério Pessoa, Martinho da Vila, Cordel do Fogo Encantado, entre outros, completaram a festa promovida pela Prefeitura do Recife.
Grandes pórticos decorados com lagartos e máscaras estilizadas anunciavam a presença dos pólos descentralizados da festa multicultural, que este ano homenageou o escritor Armorial Ariano Suassuna e o carnavalesco Claudionor Germano. Em cada um dos pólos — de Todos os Frevos, das Fantasias, Mangue (Festival Rec Beat), Marco Zero, Afro, de Todos os Ritmos, das Tradições — palco para shows de artistas pernambucanos, de outros estados e de outros países, conhecidos e desconhecidos.
Passaram por lá, durante os quatro dias de carnaval, nomes como Lenine e Cordel do Fogo Encantado, Leci Brandão e Martinho da Vila, Vanessa da Matta e Alceu Valença, Nação Zumbi e Mundo Livre, Pavilhão 9 e Selma do Coco, a banda potiguar DuSouto e os paulistas do Jumbo Elektro. Todas as apresentações eram gratuitas.
Patrocínios ajudam a bancar a festa
Entre os patrocinadores beneficiados pela lei federal Rouanet de incentivo à cultura, figurou a cervejaria Antarctica. A empresa armou um camarote no percurso do Galo da Magrugada com direito a comes e bebes, convidados e celebridades. A garota-propaganda da chamada BOA, a atriz Juliana Paes, bem que ela quis alcançar o camarote mas não se atreveu a descer do trio elétrico no meio do tumulto.
Entre pernambucanos e turistas, uma coisa ficou bem clara na mente de quem acompanhou a passagem do Galo da Madrugada no sábado, dia 25: o pernambucano mostrou que basta criatividade e disposição para cair no frevo e na folia, provando que não é preciso cordas separando quem pagou de quem não pagou para garantir a diversão.
Elba Ramalho preferiu cantar em Recife
Antes do carnaval, a cantora Elba Ramalho — uma das principais atrações da folia recifense — desabafou no programa de rádio de Giovanni Meireles sobre a polêmica criada em torno de sua opinião contrária à transposição do rio São Francisco. Sentindo-se caluniada por políticos e profissionais da comunicação que são a favor da integração do Velho Chico à bacia do Nordeste Setentrional, a artista decidiu cancelar sua participação no carnaval de João Pessoa: “Eu me retiro da Paraíba. Se querem me apedrejar, humildemente me recolho a minha vida.
Vou cantar no Carnaval de Recife porque Pernambuco é a favor da transposição, mas não veio nenhum jornalista me agredir”, desabafou a cantora, que comparou sua situação ao apedrejamento de Maria Madalena.
Decepcionada com a volta de um comportamento semelhante ao da ditadura militar, que cerceou o pensamento de muitos, Elba deixou claro que sua posição tem compromisso com a ecologia. “Foi uma simples emissão de pensamento, sem nenhum compromisso político. Há mais de dez anos trabalho junto aos ribeirinhos e em nenhum momento eu quis dizer que meu povo não devia receber água, porque eu sou fruto da seca, eu nasci no sertão. Eu vi muita gente morrendo de sede, meu pai fez um poço no quintal lá de casa que jorra água até hoje.”
Caetano chega de surpresa ao Marco Zero
O anúncio dos shows de Claudionor Germano, Antonio Nóbrega e Elba Ramalho foram mais que suficientes para lotar a praça do Marco Zero, no Recife Antigo, onde está montado o principal palco do Carnaval Multicultural da capital pernambucana.
Porém, o baiano Caetano Veloso surpreendeu o público: além de aceitar o convite para prestigiar a festa, também deu uma canja ao lado de Nóbrega. Entusiasmados, os espectadores responderam com aplausos que só perderam em intensidade quando o dramaturgo Ariano Suassuna apareceu na tribuna de honra.
O escritor, um dos homenageados do Carnaval recifense de 2006 — a decoração foi inspirada em seu universo artístico —, atendeu ao chamado de Nóbrega, que o “intimou” a um dueto de um frevo de Capiba.
Acompanhados pelo coro da platéia, Suassuna cantou não antes de se desculpar pela voz “feia, baixa e rouca” que lhe é tão característica. Em certo momento do show, estavam os três no palco: Antonio Nóbrega, Ariano Suassuna e Caetano Veloso. O compositor baiano acompanhou até onde pôde os passos de dança ágeis de Nóbrega. A cada ‘frevada’ de Caetano, o povo incentivava com aplausos. Bem humorado, Suassuna, perto dos 80 anos, disse que não podia acompanhá-los na coreografia.
* O repórter viajou a convite da cervejaria Antarctica/Ambev