O segmento cultural anda impaciente com a falta de atenção dada pelo poder público. E diante da ausência de políticas públicas que possam suprir necessidades básicas para os artistas vislumbrarem alguma luz no fim do túnel (leia-se, viver da própria arte), nova rodada de debates em torno do assunto ganha forma próxima segunda-feira (28), durante a realização do Fórum Potiguar de Cultura.
O encontro pretende reunir, das 9h às 17h no auditório do IFRN Cidade Alta, militantes culturais de todas as áreas com o objetivo de traçar estratégias que possam reverter esse quadro de descaso generalizado. De acordo com o grupo que está organizando o Fórum, a meta é “discutir e encaminhar propostas, buscando maior participação da classe artística nos rumos das políticas públicas para a cultura no Estado”.
O Fórum também irá tratar de temas como a criação da anunciada Secretaria Estadual de Cultura e as diretrizes do Plano Nacional de Cultura, aprovado no final do ano passado em Brasília. “Pretendemos inserir, cada vez mais, os agentes culturais potiguares nesse novo perfil para o qual avança a cadeia produtiva da economia criativa. Toda a articulação visa impulsionar artistas e outros principais interessados num movimento para integrar o estado do RN ao Sistema Nacional de Cultura”, informam os organizadores.
A programação do Fórum será dividida em dois momentos: pela manhã haverá debate com os convidados Fábio Lima, diretor adjunto na gestão passada da FJA; a professora Maria Tereza, mestra em filosofia política e ex-secretária de cultura de São Gonçalo do Amarante; Ilana Félix, produtora cultural e ex-assessora técnica da Funcarte; e Paulo Laguardia, documentarista, sócio-fundador da ABDeC/RN e membro do atual Conselho Municipal de Cultura de Natal.
No segundo momento, à tarde, as diferentes linguagens artísticas se reúnem separadamente para identificar as principais demandas de cada segmento (dança, audiovisual, música, teatro, artes visuais, literatura, entre outras).
Desafios
Porém, o grande desafio do segmento cultural ainda é coletivizar esforços e unir grupos que insistem em se sobrepor a outros, numa ciranda de vaidades que só prejudica a busca pelo interesse comum. Só uma mobilização ampla será capaz de concretizar encaminhamentos anteriores para demandas já identificadas, inclusive, em movimentos semelhantes, criados, principalmente, a partir da falta de pagamentos de cachês – motivo que já provou ser insuficiente para gerar resultados concretos no tocante à construção de políticas públicas para o setor.
Essa falta de articulação continuada (e unida) revela o lado frágil dessas iniciativas, e traz à tona a urgência de uma maior profissionalização da própria militância cultural no RN, ou seja, além da necessidade de se conhecer melhor os mecanismos legais capazes de alterar positivamente a atual situação, como a elaboração dos Planos Estadual e Municipal de Cultura, os artistas precisam apontar seus argumentos (também) para o Poder Legislativo. Pressionar a Assembléia Legislativa e as Câmaras Municipais podem forçar o Poder Executivo a colocar em prática ações como a criação dos Fundos Culturais; a ampliação da política de editais; o aperfeiçoamento das Leis de incentivo; e a conseqüente inclusão do RN no Sistema Nacional de Cultura do MinC.







