Requisitado para eventos, batizados, casamento e festas em geral, Palácio Potengi deverá abrigar somente eventos voltados para as artes visuais, cultura, educação e meio ambiente
Foto: Júnior Santos
“Nosso principal objetivo, à frente da Pinacoteca, é atender as expectativas dos artistas e do público”. Essa frase resume o sentimento que move o artista Novenil Barros, diante da missão de conduzir os trabalhos no principal museu de artes visuais do Rio Grande do Norte. Protagonista da militância cultural desde o desbunde da província no início dos anos 1980, Novenil “sai da toca” para emprestar um pouco de sua experiência adquirida em quase quatro décadas dedicadas à produção de arte, cultura e conhecimento.
De volta à Natal desde o ano passado, após quase vinte anos circulando pelo Brasil, só agora Novenil intensificou a retomada de suas atividades na cidade.
Novenil Barros começou a experimentar as artes plásticas aos 13-14 anos, e não parou mais. Natural de Ceará Mirim, começou a expor em Natal no fim da década de 1970. “Em 1978 fiz minha primeira exposição individual na Livraria Encontro, na avenida Rio Branco. Na época, era a única livraria da cidade que abrigava uma galeria de arte”, lembra.
Nesse mesmo período, entre 1978-79, já morando na capital potiguar, começou o movimento para formatar a Galeria do Povo: “Morava em Areia Preta e minha casa funcionava como uma extensão da Galeria do Povo. Foi lá em casa que Eduardo Alexandre (Dunga), criador da Galeria, o poeta Carlos Gurgel, Ítalo Trindade (artista plástico), Elias Silva, os irmãos Fon, Eustáquio e Lola (músico atualmente radicado na Itália), e tantos outros, começaram a pensar no Festival do Forte”, contou Novenil.
Com Paulo Procópio e João Batista de Morais Neto, na época mais conhecido como João da Rua, iniciaram as comemorações do Dia da Poesia.
No movimento ambiental
Depois da passagem como gestor no Núcleo de Artes Visuais da FJA, na segunda metade da década de 1980, Novenil embarca para o Rio de Janeiro, onde começou a se envolver com o movimento ambiental durante a Eco-92, e a convite do artista plástico Bené Fonteles particpou do movimento de artistas pela natureza. Essa veia ambiental veio à tona anos antes, em 1984, quando montou a exposição “Eco-Prismático”: “Sobre essa exposição, recordo de uma matéria de Marize Castro registrando o acontecimento. Disse que era a primeira vez que alguém unia arte e meio ambiente em Natal.”
Antes, em 1991, o potiguar ganhara um concurso nacional para criação da logomarca do Circo Voador (hoje a logo já está mudada), fato que acabou incentivando sua ida definitiva para o Rio, onde foi estudar artes visuais no Parque Laje. “Também transitava por Humaitá (bairro carioca) onde fiz vários trabalhos com Chacal, principalmente ligados a literatura”, disse.
No Parque Laje trabalhou com Charles Watson, Beatriz Milhazes e Daniel Senise – todos conceituados e conhecidos no meio das artes visuais. “Foi no Rio de Janeiro que comecei a pesquisar sobre a arte de Hélio Oiticica, Lígia Papi e Lygia Clark. Depois conheci Arthur Bispo do Rosário, e desde então estou materializando o projeto ‘O Manto’, influenciado pelo manto vermelho dos índios tupinambás”, adiantou. Ainda sem data definida, o projeto “O Manto” deve ser lançado no segundo semestre deste ano.
Depois Novenil circulou pelo Planalto Central: morou em Alto Paraíso e Brasília, onde aprofundou sua atuação no movimento ambiental. Até ir parar no Maranhão, trabalhando em projetos ligados à cultura amazônica. Em 2010, retorna definitivamente para Natal - “Por enquanto”, frisa.
Na pauta, sumiço de obras e falta de técnicos
Em entrevista a TRIBUNA DO NORTE, o artista de 52 anos contou como pretende reverter o atual quadro de abandono em que se encontra o Palácio Potengi (antigo Palácio do Governo), e os maus tratos ao acervo da Pinacoteca do Estado acumulados nos últimos anos. Há uma série de obras desaparecidas que o diretor espera a devolução o mais rápido possível, sob risco de seus nomes se tornarem públicos.
Qual a atual situação da Pinacoteca?
Novenil Barros: Temos um quadro favorável a mudanças, pois, atualmente, a Pinacoteca é uma instituição independente com CNPJ próprio (criado em setembro de 2010). Continuamos vinculados à Fundação José Augusto/Secretaria Extraordinária de Cultura, mas teremos mais autonomia para encaminhar algumas demandas como criar editais e realizar o levantamento do acervo. Também precisamos revolver pendências como o quadro funcional: temos que qualificar os que estão por aqui, e trazer de volta o pessoal especializado (museólogos e restauradores) que está emprestado para outros órgãos. Vamos precisar de todos, se quisermos desenvolver um bom trabalho.
E a situação do acervo da Pinacoteca, como está? vale lembrar que a FJA já realizou um inventário.
Ainda é uma incógnita. O que sei é que temos uma lista de obras identificadas não localizadas. Não temos um inventário atual real das obras, não sabemos quantificar valor para cada obra. A meta é catalogar, fotografar e disponibilizar tudo na internet. As pessoas precisam saber o que acontece na Pinacoteca e um site pode estreitar essa relação com a sociedade. Elaborei cerca de dez propostas para reestruturação do espaço, e a professora Isaura Rosado (Secretária Extraordinária de Cultura) aprovou.
Do que se trata e como irá funcionar esses editais?
A princípio, esses editais irão orientar a participação dos artistas. Temos que ter regras definidas para acolher exposições, abrir espaço para eventos na área externa. A Pinacoteca não tem regimento interno. Há muito o que fazer, e até o nome da Pinacoteca precisamos recolocar na fachada do Palácio Potengi.
E os eventos, tanto na área interna quanto externa, há programação agendada?
A partir do segundo semestre teremos uma programação intensa de palestras, debates e vivências com artistas convidados. A meta é termos atividades semanais. Quanto aos eventos na área externa, vamos priorizar projetos culturais, educativos e ambientais. Inclusive quero adiantar dois eventos já agendados aqui na Pinacoteca: o primeiro será dia 14 de março, em comemoração ao Dia da Poesia; e dia 2 de abril o show Pró-Jácio, em prol do sebo Cata Livros.
Você poderia elencar uma necessidade básica comum a todos os segmentos artísticos?
A Cultura do RN é riquíssima, diversificada, e os empresários do Turismo precisam perceber que atrelar nossa produção artística aos ‘pacotes’ só irá agregar valor. Viajei muito por esse Brasil e a Cultura é um elemento que faz a diferença em qualquer lugar.








